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CARTA
DOS CARDEAIS
Carta-fundadora
Para
a evangelização das grandes metrópoles
Viena,
Paris, Bruxelas, Lisboa... Cada uma destas grandes metrópoles
tem a sua história e o seu rosto. Contudo, o nosso
ministério mostra-nos claras semelhanças quanto à
sua situação espiritual. A vida urbana parece
favorecer uma paganização acelerada. Ao mesmo
tempo, surge uma procura religiosa cada vez mais forte, dentro
do próprio cristianismo, fonte da nossa cultura.
Todos
aqueles que, ao longo de mais de vinte anos, se aventuraram no campo
da evangelização directa notam uma mudança
real acontecida nestes últimos anos. As experiências
recentes e variadas de missões, levadas a cabo em diversas
grandes cidades da Europa, mostram quanto a busca de sentido
e a procura de Deus se exprimem hoje com mais liberdade e exigência.
A nossa época apela ao anúncio do Evangelho.
É
necessário e torna-se urgente propor às grandes cidades
das nossas dioceses os meios de partilhar e confrontar
as suas experiências. É por isso que decidimos pôr
em marcha congressos internacionais de evangelização
que, em cada ano, terão lugar numa cidade diferente.
Propomo-nos um duplo objectivo: o primeiro é
fornecer aos agentes eclesiais da missão uma ocasião regular
para se encontrarem, reflectirem, e trocarem informações
e experiências. O segundo é promover a nova
evangelização nas grandes metrópoles e renovar
as paróquias urbanas, através da missão.
Estes
congressos desenrolar-se-ão, pois, em dois tempos. Primeiro,
o congresso propriamente dito para o qual serão convidados
os representantes de movimentos, paróquias, dioceses desejosos
de partilhar e enriquecer a sua experiência. Além
disso, o congresso acompanhará uma missão de grande envergadura,
organizada à volta das paróquias da cidade de
acolhimento e com o apoio de todos os participantes no congresso.
O
primeiro congresso realizar-se-á em Viena na primavera de
2003, tendo os seguintes lugar, sucessivamente, em
Paris, Lisboa e Bruxelas e em seguida noutras cidades, sob
a responsabilidade de uma equipa formada por pessoas nomeadas
por nós: os responsáveis da Igreja local da
cidade de acolhimento do congresso, aos quais se juntarão
os representantes das nossas respectivas dioceses.
Para
levar a bom termo a realização deste projecto, solicitámos
à Comunidade Emanuel que assegurasse a coordenação
do trabalho da equipa assim formada. Confiamos o êxito
e a fecundidade deste empreendimento à oração
da Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos.
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Cardeal
Godfried Danneels
Arcebispo
de Malines – Bruxelas
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Cardeal
Christoph Schönborn
Arcebispo
de Viena
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Cardeal
Jean-Marie Lustiger
Arcebispo
de Paris
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Cardeal
José da Cruz Policarpo
Patriarca
de Lisboa
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Carta às Comunidades Cristãs
do
Patriarcado
de Lisboa
Cardeal
Patriarca de Lisboa
Meus
Irmãos e Irmãs,
No
início de mais um ano pastoral, é-me grato dirigir-vos
uma palavra de saudação, esperando que isso contribua
para fortalecer a comunhão entre todos nós, que é
comunhão de fé e de missão. São quatro
os assuntos de que vos quero falar nesta Mensagem: acção
de graças pelo meu Jubileu Episcopal; o Jubileu Episcopal
de Sua Santidade o Papa João Paulo II; preparação
do Congresso Internacional da Nova Evangelização;
solidariedade para com a Diocese de Setúbal na restauração
do Monumento a Cristo-Rei.
1.
O meu Jubileu Episcopal: estou profundamente grato à
Diocese, sacerdotes, religiosos e leigos, pela elevação
e qualidade que imprimiram a estas celebrações. Senti-me
Bispo para a Igreja, percebi de novo que a minha vida vos pertence,
porque a dei a Deus, que me enviou a vós. O ministério
episcopal não tem sentido sem a Igreja, ele encontra a sua
verdade profunda na vida da Igreja, no seu crescimento como Povo
de Deus e esposa do Senhor. Houve momentos muito fortes de vivência
da fé e de unidade da nossa Igreja Diocesana. Entre todos
sobressaiu a nossa peregrinação a Fátima no
Dia da Igreja Diocesana. Calculo que cerca de um terço dos
católicos praticantes da Diocese de Lisboa ali se reuniram,
com os seus Bispos, em acção de graças e prece
filial aos pés de Maria, Mãe da Igreja. Os espaços
do Santuário não proporcionaram um encontro mais informal;
todos sentimos disso a falta. Mas Nossa Senhora sabe como vos tinha,
a todos e a cada um, no coração.
A
todos quantos imaginaram, organizaram e participaram nesta festa
da Igreja, digo uma única palavra: Deus seja louvado, muito
obrigado a vós.
2.
Jubileu do Santo Padre João Paulo II: é o grande
Jubileu que toda a Igreja celebra este ano e todas as festas jubilares
devem para ela convergir. E segundo palavras do próprio Papa,
todas estas datas festivas encontram sentido no Grande Jubileu de
dois mil anos do nascimento de Jesus Cristo.
A
Igreja de Lisboa irá celebrar solenemente o 25º aniversário
da eleição do Papa João Paulo II, no dia 18
de Outubro, no Estádio Nacional. Porque ele próprio
quis associar o seu Jubileu ao Ano do Rosário, encerraremos,
com essa celebração, o Ano do Rosário, com
o "terço vivo", mostrando que são
as pessoas as verdadeiras "contas" do louvor a
Maria. Espero que a Diocese acorra, nesse dia, ao Estádio
Nacional. Que todas as comunidades se façam representar;
e que sobretudo os jovens, que têm um lugar tão especial
no coração do Papa, respondam, com a sua presença,
a essa predilecção. Essa celebração
aprofundará em nós a comunhão com o Santo Padre
e o amor a Maria, Mãe da Igreja.
3.
Congresso Internacional da Nova Evangelização:
como é já do conhecimento de todos, realizar-se-á
em Lisboa no Outono de 2005. Entramos, assim, num período
de preparação próxima. Será publicada
nestes dias uma Carta Pastoral que escrevi à Diocese sobre
o Congresso e a Missão na Cidade. É meu desejo que
ela seja acolhida nas comunidades e inspire os caminhos e as atitudes
preparatórias do Congresso. Quem evangeliza é a Igreja,
comunidade dos crentes. Tomar mais a sério a vida da fé
é a única preparação sólida para
as acções evangelizadoras. A oração
fervorosa e confiante é preparação que pode
começar desde já e que está ao alcance de todos,
mesmo dos doentes e das pessoas idosas.
Embora
o Congresso e a Missão na Cidade se desenrole na "grande
Lisboa", o ardor da evangelização deve fazer-se
sentir em toda a Diocese. Espero que do Congresso brotem dinamismos
que depois se prolonguem numa nova vitalidade de toda a Igreja Diocesana.
4.
O Monumento a Cristo-Rei. Foi construído, nos anos
cinquenta do século passado, cumprimento de um voto dos Bispos
de Portugal, feito para merecer de Deus a graça de poupar
Portugal à Segunda Guerra Mundial. Do ponto de vista canónico,
ficou integrado na Diocese de Lisboa, onde se situava. A dinâmica
da Imagem de Cristo-Rei foi concebida pondo-o a abençoar
e abraçar a Cidade de Lisboa. Lisboa tem um grande amor a
este Monumento, mas também uma particular responsabilidade.
Com
a criação da Diocese de Setúbal, o Monumento,
continuando a abraçar Lisboa, ficou situado na nova Diocese.
Num período transitório, a Bula de criação
da nova Diocese deixou provisoriamente o Monumento sob a jurisdição
do Patriarcado de Lisboa. Essa situação provisória
foi ultrapassada, há cerca de cinco anos, integrando o Monumento
na Diocese de Setúbal, sob a jurisdição do
seu Bispo.
Há
tempos que se vinha verificando a necessidade de obras de restauro,
para contrariar a normal erosão do betão armado, que
começava a criar riscos físicos para os visitantes.
As obras acabaram por ser realizadas já sob a responsabilidade
da Diocese de Setúbal, foram bem visíveis de Lisboa
durante a sua execução, e custaram cerca de um milhão
de euros. Este encargo é incomportável para a administração
corrente do Monumento, que teve de se endividar para as pagar.
Dado
o empenhamento de todas as Igrejas de Portugal na construção
do Monumento, o Senhor Bispo de Setúbal pediu ajuda à
Conferência Episcopal. Esta decidiu que, em todo o país,
os ofertórios das missas no dia da Festa de Cristo-Rei, se
destinarão a ajudar a Diocese de Setúbal a satisfazer
esse encargo. Por isso assim acontecerá na Diocese de Lisboa,
que, pelo que ficou dito, tem uma particular responsabilidade no
Monumento a Cristo-Rei. Peço a generosidade de todos, pessoas
e comunidades, e o Senhor vos recompensará. Espero que toda
a Diocese ponha neste ofertório o mesmo empenhamento que
seria necessário se o Monumento ainda estivesse sob a nossa
responsabilidade.
Desejo
a todos um início de ano pastoral cheio de generosidade e
de esperança, para continuarmos a edificar a "Casa
do Senhor"
Fraternalmente
saúda-vos e abençoa-vos.
Lisboa,
22 de Setembro de 2003
†
JOSÉ, Cardeal-Patriarca
"Missão na Cidade"
Congresso
Internacional da Nova Evangelização
Carta
Pastoral do Cardeal-Patriarca de Lisboa
Introdução
1.
Como é do conhecimento público, a Diocese de Lisboa
é co-organizadora de um "Congresso Internacional
da Nova Evangelização", em conjunto com as
Dioceses de Viena de Áustria, de Paris e de Bruxelas. A estas
quatro dioceses vai juntar-se, desde já, a Diocese de Eztergom-Budapeste,
na Hungria. O anúncio do Evangelho no contexto urbano das
grandes metrópoles do nosso tempo é o desafio que
aceitámos. Está quase tudo dito sobre a "nova
evangelização". Agora é preciso sair
à rua, ir para o centro das cidades, onde as pessoas se cruzam
na azáfama do dia a dia, onde lutam, sofrem, esperam, alimentam
utopias e anunciar a esperança que tem a sua fonte em Jesus
Cristo. "Jesus Cristo é a nossa esperança,
porque Ele, o Verbo eterno de Deus (…) nos amou". "Fundamentada
nesta confissão de fé, brota do nosso coração
e dos nossos lábios uma jubilosa confissão de esperança"(1).
O
Congresso terá a sua realização, em Lisboa,
no Outono de 2005. Isto significa que durante o Ano Pastoral que
agora se inicia temos de intensificar a sua preparação,
que não consta, apenas, de acções e estruturas,
também necessárias; temos, sobretudo, de nos prepararmos,
pessoas, Movimentos e Comunidades, para esta acção
evangelizadora. É meu desejo que toda a nossa Diocese, mas
sobretudo a Cidade de Lisboa, se ponha em ambiente de Congresso,
o que quer dizer em estado de missão.
A
missão de evangelizar.
2.
O Congresso é a concretização da primordial
missão da Igreja: evangelizar. E esta é o anúncio
jubiloso da esperança que brota dos corações
daqueles que acreditam em Jesus Cristo e encontram n’Ele a fonte
da esperança e o sentido da vida. A mensagem deste anúncio
é a mesma desde há dois mil anos; mas a forma de anunciar
pode ser renovada em cada tempo e em cada contexto cultural, pela
razão simples de que se trata de um anúncio a pessoas
concretas e situadas, feito por outras pessoas que partilham com
elas o mesmo quadro de vida.
A
natureza da evangelização põe-nos a todos,
neste contexto do Congresso, perante um duplo desafio: aprofundar
e interiorizar em nós este anúncio da esperança
e encontrar os meios e os modos adaptados para anunciarmos essa
esperança a todos os homens e mulheres com quem partilhamos
a vida da nossa Cidade. A Igreja vive de Jesus Cristo e só
essa procura contínua da radicalidade do Evangelho, a tornará
capaz de anunciar, encontrando a maneira simples e sincera de o
fazer. Esta é a perspectiva fundamental de uma Igreja que
se quer pôr em "estado de missão":
só quem vive do Evangelho aceita ser enviado a anunciá-lo.
Evangelizar
a nossa Cidade.
3.
A urgência da evangelização brota de um duplo
dinamismo: a vontade do Senhor, que envia a Igreja de todos os tempos
a anunciar a boa nova da salvação, e o apelo da Cidade,
dos homens e mulheres nossos irmãos que partilham connosco
o drama da vida, nesta Cidade que nós amamos.
Quando
falamos de Lisboa como urgência de evangelização,
não nos referimos, apenas, à velha Cidade de Lisboa,
circunscrita pelas fronteiras do seu Município; o nosso olhar
alarga-se, necessariamente para a chamada "grande Lisboa",
que de Almada a Cascais, de Sintra a Loures, de Sacavém a
Vila Franca de Xira, é o cenário desse vai e vem contínuo
que constitui a principal característica da população
das cidades modernas: a mobilidade. Falamos de cerca de cento e
cinquenta mil jovens universitários que para Lisboa convergem,
para frequentar as Universidades da capital; não esquecemos
a Lisboa administrativa, centro do poder, porque capital da Nação,
o que a torna cruzamento necessário de pessoas vindas de
todo o país; olhamos com uma solicitude particular para cerca
de duzentos mil emigrantes, vindos de várias partes do mundo
à procura de uma vida melhor e que se situam entre o grupo
dos mais pobres e desfavorecidos. E ao olharmos esta Cidade, buliçosa
e agitada, não podemos esquecer aqueles que habitualmente
não se vêem: os doentes, os idosos, os presos. Muitos
deles poderão participar activamente na "missão
na Cidade", oferecendo a sua oração e o seu
sofrimento.
Ao
olharmos a nossa Cidade como espaço de evangelização,
uma questão inevitável se nos apresenta: o que é
hoje Lisboa do ponto de vista cristão? Ela que foi alfobre
de missionários, de santos e mesmo mártires? Ela que
esteve na origem da expansão do cristianismo nas cinco partes
do mundo? Disso continuam testemunhos eloquentes os belos templos
erigidos ao longo dos tempos, padrões vivos da fé
de uma Cidade: a Sé Catedral, Santa Maria de Belém,
Nossa Senhora dos Mártires, São Domingos, São
Vicente de Fora, a Madre de Deus, a Basílica da Estrela,
Nossa Senhora de Fátima, o Sagrado Coração
de Jesus. Eles aí continuam, eloquentes na sua beleza, proclamando
cada um na linguagem artística da sua época, a mesma
mensagem de uma cidade cristã.
Como
todas as grandes cidades do nosso tempo, Lisboa alterou a sua fisionomia
cultural e religiosa, tornando-se uma cidade plural. Não
foi alheia aos ventos do laicismo e à erosão cultural
de uma época marcada pela grande comunicação.
A sua população declara-se cristã na sua maioria,
86% no último senso. Segundo o último estudo sobre
a prática dominical, cerca de 10% da sua população
ainda pratica dominicalmente a sua fé. Dos outros, a maior
parte guarda referências à Igreja nos grandes momentos
da vida: nascimento, casamento e morte. Os grandes valores que inspiram
a vida comunitária têm origem cristã: o respeito
pela pessoa humana, a solidariedade e o gosto de partilhar, o culto
da liberdade. Há já um grupo que se declara sem religião,
agnóstico ou mesmo ateu, embora os grandes valores de referência
sejam os mesmos de toda a comunidade.
Entre
essa maioria que se declara católica, podemos considerar
vários grupos cuja diferença é significativa
em termos de evangelização: os praticantes, que constituem
o rosto visível das comunidades cristãs e que têm
de ser o ponto de partida da acção evangelizadora;
o grupo dos não praticantes, mas que guardam referências
visíveis à Igreja, a quem é preciso ajudar
a descobrir a beleza do seu baptismo e da sua qualidade de Católicos;
o grupo dos "descrentes", a quem é preciso
testemunhar a beleza da fé. Às outras Igrejas e Confissões
Cristãs, manifestamos o nosso respeito fraterno e convidamo-las
a participar na missão com um anúncio vivo de Jesus
Cristo.
A
verdade da evangelização.
4.
O Congresso não é uma estratégia para reforçar
o poder da Igreja na sociedade. Fazemo-lo por fidelidade a uma convicção
muito profunda de que a fé é uma manifestação
do amor com que Deus ama todos os homens. Jesus Cristo continua
a ser a expressão absoluta do amor de Deus por nós.
É desejo de Deus que os homens se encontrem com o seu Filho
Jesus Cristo. Esta é a verdade profunda da evangelização,
que a inspira, motiva e sugere os modos.
Podemos
concretizar uma tríplice dimensão desta verdade da
evangelização: a verdade dos homens a quem anunciamos
o Evangelho; a verdade da fé de quem anuncia; a verdade da
Palavra de Deus que anunciamos. Ao prepararmo-nos para a "missão
na Cidade" temos de aprofundar e meditar nesta tríplice
dimensão da verdade da evangelização.
A
dignidade dos homens e mulheres, nossos irmãos.
5.
O nosso anúncio do Evangelho tem de ser humilde e dialogante,
atitude de quem vai ao encontro dos outros em espírito de
serviço. Tem de brotar do nosso amor e do nosso desejo de
comunhão.
Uma
das características da fé na nossa Cidade é
que ela é, cada vez mais, uma opção pessoal
de liberdade, uma vez que se foram mitigando os condicionalismos
sociológicos da religião. Ela tem, por isso, toda
a beleza, mas também a exigência da liberdade. O facto
de anunciarmos a nossa fé, não pode diminuir o profundo
respeito que temos pelos outros e pelas suas opções.
A fé não se impõe a ninguém.
Esse
respeito sugere-nos uma atenção às buscas,
problemas e sofrimentos dos nossos irmãos, pois eles poderão,
como nós, encontrar na fé a resposta que procuram.
O sentido da vida e da morte, o mistério do sofrimento, a
solidão invencível, a ânsia de felicidade, sempre
procurada e nunca alcançada, a desilusão do amor,
a dificuldade de captar a dimensão de eternidade semeada
no coração de cada um. Porque é uma manifestação
do amor de Deus, o Evangelho tem de lhes aparecer como uma resposta
e uma proposta de vida. Só quem cultivou esta atenção
solícita e amorosa para com os outros, no profundo respeito
pela sua dignidade, poderá ser um evangelizador. É
que o concreto da vida dos nossos irmãos, perscrutada com
amor, pode revelar-nos a abertura do seu coração ao
Evangelho de Jesus e à sua própria Pessoa. É
preciso captar e compreender as manifestações actuais
da busca da salvação. Mesmo naqueles para quem esta
palavra já pouco significa, há buscas existenciais
que podem significar a procura de Deus.
Isto
é particularmente importante no nosso diálogo com
os jovens, para quem a busca da vida pode ser algo de decisivo.
É preciso ouvi-los com compreensão e ternura e fazer
deles um destinatário privilegiado da "missão
na Cidade".
A
verdade da fé de quem anuncia.
6.
A evangelização é um testemunho, o que significa
que a fé anunciada é uma experiência vivida.
Cristo que anunciamos é o Cristo que amamos e procuramos.
A principal exigência da preparação do Congresso
e da "missão na Cidade" situa-se, precisamente,
aí. As pessoas, as Comunidade e os Movimentos devem procurar,
durante este ano de preparação, uma autenticidade
de fé. A Igreja que evangeliza precisa de ser, continuamente,
evangelizada, de viver do Evangelho. A fecundidade do Congresso
começa aí: as pessoas, as Paróquias e os Movimentos
que vão empenhar-se na missão, devem prepará-la
na oração, sobretudo através da meditação
da Palavra e da vivência da Eucaristia, celebrada e adorada.
É preciso, é certo, imaginar e preparar as acções
evangelizadoras. Mas tudo isso deve assentar na renovação
espiritual das Comunidades.
Desta
verdade de quem anuncia faz parte a humildade do evangelizador.
O seu testemunho é, tantas vezes, apenas a manifestação
da sua esperança e do seu desejo, de quem sabe que Deus pode
agir através da nossa pobreza e que o Reino de Deus brota
da Páscoa de Jesus e é obra do Espírito Santo.
O
ano de preparação do Congresso tem de ser um ano de
profunda renovação espiritual de todos, pessoas e
grupos, os que querem participar nesta acção evangelizadora.
A
verdade da Palavra de Deus que anunciamos.
7.
O anúncio do Evangelho, embora seja um testemunho pessoal
da nossa fé, é sempre a proclamação
da "fé da Igreja", a única que tem
a garantia da objectividade da verdade de Deus, ou seja, da mensagem
da Revelação. É por isso que a Evangelização
é sempre um serviço da Palavra e missão da
Igreja.
Dois
fenómenos da cultura contemporânea podem comprometer
a autenticidade deste anúncio da "fé da Igreja":
a importância dada à subjectividade, à própria
visão pessoal da verdade e o facto de a sociedade, na complexidade
dos seus problemas e na rápida mutação dos
valores culturais, fazer uma pressão contínua sobre
a Igreja para que adapte a sua doutrina a essa mutação
da sociedade, entrando no ritmo da mudança e ensine aquilo
que alguns gostariam de ouvir.
O
evangelizador, porque anuncia a "fé da Igreja",
que é o único espaço legítimo da mutação,
guiada pelo Espírito e, ao longo dos séculos, se mantém
fiel ao Evangelho dos Apóstolos, tem de estar vigilante para
evitar esses dois perigos: o de não confundir testemunho
com visão subjectiva da verdade e de não cair na tentação,
para ser bem acolhido, de anunciar aquilo que os homens gostam de
ouvir. A nossa percepção da verdade tem de ser continuamente
confrontada com a verdade de Deus, mantida fielmente na "fé
da Igreja". Só a verdade de Deus salva, e não
a minha própria verdade.
Esta
fidelidade à verdade da "fé da Igreja"
tem a ver com a mensagem, com os conteúdos da evangelização.
Eles diferenciam-se conforme as etapas da evangelização:
o primeiro anúncio, a catequese, a formação
permanente. Mas a mensagem é sempre a mesma; as diversas
etapas são apenas momentos do seu aprofundamento. O Santo
Padre João Paulo II, na Novo Millenio Ineunte, afirmou
que o programa pastoral da Igreja é Jesus Cristo, o mesmo
ontem, hoje e sempre (cf. NMI, n. 28). É Ele que encerra
todo o mistério de Deus e do homem e que, depois de O conhecermos,
gastaremos toda a nossa vida, em Igreja, para O conhecermos e amarmos.
A
"missão na Cidade", embora suponha nas Comunidades
um processo sério de catequese, de aprofundamento do mistério
de Jesus Cristo para assim se prepararem para serem testemunhas,
é, em si mesma, uma acção evangelizadora marcada
pelo dinamismo do primeiro anúncio de Jesus Cristo. Por isso
refiro aqui apenas os tópicos principais dos conteúdos
desse primeiro anúncio, ou seja, os conteúdos do "kerigma"
cristão.
Um
"Kerigma" para a nossa Cidade.
8.
Trata-se de anunciar, com a força de um testemunho, que Jesus
Cristo é o Vivo, é o Deus vivo, perto de nós,
a desafiar-nos para uma relação de amor. Deus não
é uma ideia, um ser longínquo e inalcançável,
uma criação cultural das religiões. Em Jesus
Cristo Ele torna-se acontecimento na nossa vida, transformando-a
e dando-lhe um sentido radicalmente novo.
*
Ao proclamar que Jesus é o Vivo, afirmo a sua divindade.
Ele é importante para nós, porque é a presença
do Deus vivo na nossa vida. N’Ele, Deus torna-se próximo,
acessível, Deus de aliança, a desafiar-nos para a
aventura do amor. Todos os anseios de amor, que palpitam no coração
humano, são portas abertas ao anúncio de Jesus Cristo
enquanto caminho para a plenitude do amor.
*
Anunciar Jesus Cristo o Vivo, é proclamar a Sua ressurreição,
pois a sua morte na Cruz é um facto confirmado pela História.
Ele é um vivo que venceu a morte e por isso a Sua vida é
definitiva e plena. A proclamação da ressurreição
de Jesus é incompreensível sem o anúncio do
sentido da Sua morte, oferecida por amor, manifestação
radical e dramática do amor de Deus por nós.
Só
se pode comunicar o sentido pleno da Vida do ressuscitado, se a
Sua morte e ressurreição nos aparecem como redenção.
E esta é acto criador do amor de Deus, que salva a grandeza
da vocação humana, apesar do pecado. À luz
de Jesus Cristo, o pecado é um drama de amor: drama na infidelidade
do homem, drama na recuperação que Deus faz do homem,
em Jesus Cristo.
Não
devemos fugir ao peso que tem sobre as pessoas o drama da morte.
É certo que hoje os homens e mulheres tendem a ignorá-lo
tanto quanto puderem. Mas ninguém lhe escapa. O sentido da
vida do homem está irremediavelmente ligado ao sentido da
vida e da morte. Participar na vitória de Cristo sobre a
morte, é começar a resolver o problema da morte na
nossa vida.
*
Encontrarmo-nos com Cristo, o Vivo, é ouvir o Seu convite
a que O sigamos como discípulos. Ele quer ser nosso companheiro
de viagem; segui-Lo é querer percorrer o caminho da nossa
vida sempre com Ele, ouvindo-O, aprendendo a amá-Lo e aprendendo
a amar, reconduzindo tudo na nossa vida a esse amor novo.
É
impossível entrar no dinamismo desta caminhada como discípulos,
sem o anúncio do Espírito Santo, a força criadora
do amor de Deus, Ele que ressuscitou Jesus dos mortos, e nos transforma
nesse "homem novo", tornando-nos semelhantes a
Cristo. É preciso anunciar o Espírito Santo como a
força transformadora do amor de Deus que nos é dado
a partir da nossa relação de amor com Jesus Cristo.
Este
anúncio denuncia a auto-suficiência da cultura contemporânea,
segundo a qual o homem só será aquilo que ele próprio
for capaz de construir. Não! Seguir Jesus Cristo é
aceitar que o homem, com a força do Espírito de Jesus,
é capaz de atingir níveis de vida, de beleza e de
profundidade, que lhe seriam inacessíveis, se ficasse limitado
às suas próprias forças. Acho que o drama da
humanidade contemporânea mostra à saciedade esta evidência.
*
Este "Kerigma" tem de incluir o primeiro anúncio
do mistério da Igreja. Não devemos ter a preocupação
de explicar tudo, de fazer uma eclesiologia completa. Basta apresentar
a Igreja como "comunhão de crentes em Cristo",
como Povo de discípulos que caminham em conjunto, seguindo
o seu Senhor. E abrir desde o início para a riqueza sacramental
da Igreja, onde ela realiza a própria obra de Deus em Jesus
Cristo, com uma eficácia garantida pelo próprio Deus
e não apenas pelos homens. Os três sacramentos da iniciação
cristã devem constituir o núcleo central deste anúncio.
A sua vivência contínua garantem a caminhada, seguindo
Jesus Cristo, o Vivo, identificando-nos com Ele, e seguindo-O até
à Casa do Pai.
*
Este primeiro anúncio completar-se-á com o convite
à oração. A possibilidade de rezar, é
a primeira manifestação da novidade cristã.
Rezar com Jesus, rezar como Cristo rezou, oferecer como Cristo se
oferece. A primeira aceitação de Jesus Cristo deve
desabrochar, espontaneamente, na primeira expressão de oração
cristã, manifestação de confiança e
de união de amor a Cristo e, por Cristo, ao Deus vivo, que
no Seu Filho se torna nosso íntimo e nosso próximo.
Uma
pedagogia da evangelização.
9.
Tendo em conta quanto acaba de afirmar-se sobre a natureza dinâmica
da evangelização, a "missão na Cidade"
supõe o delinear de uma pedagogia: a selecção
dos sectores da população a quem se destina a acção
evangelizadora, a preparação das acções
a desencadear, a formação dos evangelizadores, a garantia
da qualidade em todas as acções desencadeadas.
É
preciso desencadear um dinamismo que ponha a Cidade em estado de
missão de tal modo que ninguém estranhe, nesses dias,
se alguém lhe falar de Deus e de Jesus Cristo. Para atingir
esse objectivo muito contribuirá a dinamização
das Comunidades Paroquiais e dos Movimentos e Associações
de fiéis. Mas não deixaremos de recorrer ao contributo
dos modernos meios de comunicação com as multidões.
Estaremos
particularmente atentos ao mundo juvenil, particularmente à
juventude universitária, aos espaços da Cidade onde
se cruzam multidões; uma atenção especial nos
merecerão os idosos e os doentes. Os espaços culturais,
de modo particular o nosso riquíssimo património artístico,
deverão ser valorizados na missão. Esta será,
aliás, um espaço para a criatividade de pessoas e
Comunidades, que poderão propor as suas acções
evangelizadoras, garantida que esteja a unidade da missão.
10.
Procuraremos que todas as acções desencadeadas tenham
em comum algumas características ou qualidades:
*
A qualidade. Devemos fazer bem feito o que nos propusermos
fazer. Esta qualidade aliará a dimensão cultural com
a sinceridade da convicção e a ousadia do testemunho.
Simplicidade e qualidade não se opõem.
*
A beleza. Deus é belo e a beleza é hoje uma
abordagem de Deus mais simples e atraente do que o discurso do convencimento
racional. Que tudo seja belo, e que se organizem acções
específicas que partam da beleza para o anúncio do
Evangelho.
*
A eclesialidade. A Igreja de Lisboa tem de se rever em cada
uma das acções desencadeadas, que têm de se
inserir no dinamismo da missão evangelizadora da Igreja.
O Congresso e a "missão na Cidade" não
podem ser acções efémeras que se esgotam quando
acabam. Devem deixar dinamismos que perdurem na linha da realização
da missão da Igreja prolongada no tempo.
A
Cidade um único espaço de missão.
11.
Este é, certamente, um dos aspectos mais exigentes da "missão
na Cidade": a unidade da missão. Não podemos
aparecer perante a Cidade, uns a anunciar a fé de Paulo,
outros de Pedro, outros de Apolo (cf. 1Cor. 1,12). Toda a dinamização
e realização desta acção evangelizadora
tem de ser marcada pela unidade, considerando a Cidade como um único
espaço pastoral.
O
papel das Paróquias é decisivo no bom andamento da
missão, enquanto espaço de realização
e entidade promotora de acções. As diversas Igrejas
que se erguem na nossa Cidade devem ser sinais de uma mesma fé
e de um mesmo anúncio de Jesus Cristo. É importante
que, salvaguardando embora a justa especificidade, a Cidade toda
seja como um painel em que as diversas Paróquias são
afirmações, mais da unidade do que da diferença.
A "missão na Cidade" levar-nos-á,
porventura, a uma reflexão aprofundada sobre a Paróquia
urbana, cada vez menos definida pela territorialidade. Não
devemos permitir que os particularismos comprometam a unidade da
missão, condição necessária da sua eclesialidade.
Para
esta unidade da missão muito poderão contribuir os
Movimentos, convidados a pôr a especificidade dos seus próprios
carismas ao serviço de uma única missão, desencadeada
pela mesma Igreja Diocesana.
Sintamo-nos
enviados.
12.
É o Senhor que nos envia. Partamos, dinamizados pelo Espírito,
e levemos connosco Nossa Senhora. Ela repetir-nos-á incansavelmente:
"Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo. 2,5). Aprendamos
com ela a dar Jesus Cristo aos homens do nosso tempo. E invoquemos
a protecção de Paulo, o grande Apóstolo do
anúncio. Termino esta Carta Pastoral, com um texto da 1.ª
Carta de Paulo aos Tessalonicenses:
"Como
vós próprios sabeis, irmãos, a visita que vos
fizemos não foi inútil. Apesar dos sofrimentos e insultos
que suportámos em Filipos, como sabeis, no nosso Deus encontrámos
coragem para vos anunciar o seu Evangelho no meio de grandes lutas.
A nossa pregação não nasce do erro, nem da
impureza ou da fraude. Mas, como Deus nos encontrou dignos de nos
confiar o Evangelho, assim o pregamos, não para agradar aos
homens, mas a Deus que põe à prova os nossos corações.
Bem sabeis que nunca usámos palavras de lisonja nem recursos
de ganância; Deus é testemunha. Também não
procurámos as honras humanas, quer da vossa parte, quer da
parte dos outros, embora pudéssemos fazer valer a nossa autoridade
como Apóstolos de Cristo. Ao contrário, apresentámo-nos
no meio de vós com bondade, como a mãe que acalenta
os filhos que anda a criar. Pela viva afeição que
vos dedicámos, desejávamos partilhar convosco não
só o Evangelho de Deus, mas ainda a própria vida,
tão caros vos tínheis tornado para nós."
Lisboa,
26 de Setembro de 2003
†
JOSÉ, Cardeal-Patriarca
(1)
João Paulo II, Ecclesia in Europa, nn. 19 e 18
Congresso
de Viena
Deus
passeou pela Cidade
O
Congresso de Viena foi uma experiência única, como
todas as outras. O milhar e meio de congressitas viu-se confrontado
com um programa aberto e plural, marcado pela muita qualidade das
conferências e debates. Interpelaram os testemunhos que vieram
das margens e periferias. Marcou o clima de alegria que se lia no
rosto de todos e a qualidade do ambiente de oração
e espiritualidade que se imprimiu ao longo de todo o congresso.
Apresentou-se ali uma Igreja aberta ao mundo e disposta a responder
aos desafios da cultura de hoje. As liturgias foram muito vividas
e marcadas pela abertura a muitos modelos de celebração,
de música e de canto. Naquela imponente catedral de Viena,
não houve instrumentos musicais esmagados pelos órgãos
de tubos nem o gregoriano matou os cânticos mais ligeiros
acompanhados com os gestos e as palmas. Ali todos tiveram lugar.
E a festa aconteceu por isso mesmo.
A
hospitalidade também me marcou profundamente. Fiquei em casa
da Senhora Adler, a uma hora e tal do centro de Viena. Passei a
pertencer à família, com quem troco mails como muita
frequência.
Em
nome das margens
Depois
das conferências teóricas, havia sempre um espaço
de partilha de experiências vividas. Regra geral, os congressistas
eram convidados a uma visita guiada ás margens das nossas
cidades. A Dra Sofia Guedes falou da experiência que tem sido,
em Lisboa, o Presépio na Cidade, ideia concretizada em 2000
e nunca mais parada. O P. Carlos Paes partilhou a sua experiência
de pastoral com pessoas divorciadas que voltaram a casar. O P. Georg
Sporschill veio de Bucareste contar o seu trabalho com crianças
de rua. Os franciscanos de Bronx falaram da sua missão nas
ruas de Nova Yorque. O Professor Andrea Riccardi veio explicar como
é que os pobres nos evangelizam. O Irmão Marc ofereceu
azeite aos cardeais, semeou na Catedral trigo das terras da sua
comunidade de Tiberíades, na Bélgica e soltou uma
pomba branca. O P. Alexandre Pietrzyk falou do trabalho da Caritas
na Rússia. O P. Guy Gilbert apresentou o seu trabalho com
os jovens e menos jovens ‘loubards’ (‘marginais’) de Paris. A Irmã
Elvira, fundadora da Comunidade Cenáculo, veio da Bósnia
com um grupo de ex-toxicodependentes em recuperação
mostrar como a fé, a alegria e o desporto também são
terapêuticos. O P. Friedrick Koren partilhou a sua experiência
de apoio aos sem-abrigo de Viena. O P. Paul Martiu veio de Bucareste
contar como funcionam as Escolas de evangelização
dos Ortodoxos e Católicos, uma iniciativa que combate o difícil
relacionamento entre estas duas Igrejas na Roménia.
Estes
e outros testemunhos vieram mostrar novas e ousadas formas de evangelização
contra-corrente que assentam no princípio de que os testemunhos
empurram para o compromisso.
Igreja
com muitos rostos
O
que melhor caracterizou este congresso foi a imagem de uma Igreja
‘arco-íris’. Numa noite de concerto, estava o P. Guy Gilbert
a contar algumas histórias de jovens delinquentes com quem
trabalha em Paris, quando se volta para o fundo do palco, onde estava
o Cardeal de Viena e lhe diz: ‘Cristovão, vem aqui’. O Cardeal
veio á boca do palco e, diante de milhares de jovens, ali
estavam duas figuras bem distintas. O P. Guy, cabelo grande, casaco
de couro, calças de ganga coçadas e o Cardeal, vestido
a rigor. Dirigindo-se aos jovens, o P. Guy disse: ‘Não temos
o mesmo visual, mas somos a mesma Igreja’. Foi o delírio
na Praça da Catedral e, na minha opinião, foi um dos
momentos mais simbólicos deste congresso pois ali estava
representada uma igreja como muitos rostos.
Neste
congresso, coexistiram bem os franciscanos do Bronx ( músicos
‘rap’ com um visual muito original) e muitos padres com o seu cabeção
romano. Os órgãos de tubos das Igrejas conjugaram-se
com violas, flautas e batuques. O latim gregoriano deu as mãos
às canções mais ritmadas dos jovens. O incenso
foi para o ar no mesmo espaço da sementes lançadas
pelo frei Marc. As mãos postas em profundo silêncio
na mesma catedral onde se ouviram estrondosas salvas de palmas e
gargalhadas.
De
Viena apontou-se o caminho de Paris. O convite veio da boca do Bispo
Auxiliar: ‘Não sabemos como vai ser, mas sabemos que vai
ser!’.
Até
Paris, em 2004!
Tony
Neves, em Viena
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