Escrevo estas linhas em Paris, no termo da
realização, nesta cidade, do ICNE. A próxima
etapa será Lisboa, de 6 a 13 de Novembro de 2005.
Esta iniciativa de cinco capitais europeias
obriga-nos a procurar conciliar duas dimensões: a continuidade
que afirme a unidade de um mesmo Congresso; a especificidade de
cada cidade, na verdade, da Igreja local.
A continuidade: mantermo-nos fiéis
ao desafio original, de aprofundar, na reflexão e na oração,
a forma de anunciar Jesus Cristo aos habitantes das nossas cidades,
privilegiando o diálogo cultural, na ousadia do testemunho
sincero e humilde.
A especificidade do Congresso em Lisboa:
a experiência de Viena e, agora, de Paris, confirmam, em mim,
algumas linhas de força para a realização do
Congresso em Lisboa:
1. Mantermo-nos fiéis à natureza
querigmática, de primeiro anúncio, desta iniciativa
pastoral.
2. Garantir a harmonia e a unidade entre o
Congresso temático e a Missão na cidade.
3. Escolher como tema unificador do anúncio
o mistério da vida, dom precioso do Criador, principal responsabilidade
do homem enquanto ser livre, cuja plenitude nos é anunciada
em Cristo ressuscitado, que nos comunica a Vida através da
fecundidade sacramental da Igreja.
4. Não se preocupar tanto com o número
das acções a realizar, mas com a sua qualidade e beleza.
5. Mais do que muitas "acções
de rua", devemos procurar entrar em diálogo com
a cidade, através da arte, da cultura, da qualidade dos debates,
na Universidade, com os jovens, com políticos e gestores
públicos, com todos os que procuram a luz.
6. Manter-se, durante todo o Congresso, em
oração contínua, pois só o Senhor pode
abrir os corações à Sua Palavra. Nossa Senhora
será, no seio deste desejo de anunciar o Seu Filho, a estrela
da manhã, nossa intercessora, Mãe e Rainha. No seu
olhar aprenderemos a contemplar o rosto de Jesus e todos os rostos
dos homens nossos irmãos.
Paris, 1 de Novembro de 2004
† JOSÉ, Cardeal-Patriarca